Há uma ideia que circula em muitos ginásios.
Se no dia seguinte não consegues descer as escadas, então o treino foi bom.
Se não doeu, não valeu.
Percebo de onde vem esta ideia.
Mas, depois de mais de vinte anos a acompanhar pessoas, posso dizer-te com tranquilidade que não é assim que se constrói um corpo forte e saudável.
Esforço, desconforto e dor não são a mesma coisa
Treinar bem exige esforço.
Vais sentir os músculos a trabalhar, a respiração a acelerar e, nas últimas repetições, aquela vontade de parar.
Isso é normal e faz parte.
O desconforto também pode aparecer, sobretudo quando começas um exercício novo ou aumentas a carga.
É o corpo a adaptar-se a um estímulo diferente.
A dor é outra conversa.
Uma dor aguda, localizada numa articulação, que aparece num movimento específico, é um sinal.
Não é motivo de orgulho.
É informação que deves ouvir.
O corpo fala. O treino inteligente aprende a ouvi-lo.
E aquela dor muscular de dois dias depois?
Essa sensação de músculos doridos um ou dois dias depois do treino pode acontecer, principalmente quando estás a começar ou quando mudas o tipo de exercício.
Não é um problema.
Mas também não é a medida do teu progresso.
Com o tempo e com uma progressão bem feita, ela tende a diminuir.
E isso não quer dizer que o treino ficou fraco.
Quer dizer que o teu corpo se adaptou.
Então como sei que estou a evoluir?
A evolução vê-se em coisas mais concretas do que o cansaço:
- Consegues fazer o mesmo exercício com mais controlo.
- A carga sobe aos poucos, sem perder a técnica.
- Sobes escadas, pegas nas compras ou brincas com os teus filhos com mais facilidade.
- Recuperas melhor de um treino para o outro.
- Sentes-te com mais energia ao longo da semana.
Estes são os sinais que importam.
E nenhum deles depende de saíres do ginásio arrasado.
O papel do acompanhamento
Quando treino alguém, observo a execução de perto.
Ajusto a amplitude, a carga e o ritmo de acordo com a forma como a pessoa responde naquele dia.
Há dias para puxar mais.
Há dias para recuar um pouco.
É isto que reduz o risco de lesão e permite que continues a treinar semana após semana.
Porque o melhor treino não é o mais duro.
É aquele que consegues repetir com consistência, durante muito tempo.
Uma nota importante
Se sentes uma dor que não passa, que piora com o movimento ou que aparece sempre no mesmo sítio, fala com um médico ou um fisioterapeuta antes de continuar.
O treino deve somar à tua saúde, nunca tirar.
Se queres treinar com segurança e com alguém atento a estes detalhes, marca uma conversa inicial.
Começamos pelo teu ponto de partida.



